"A bola dá volta"

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sexta-feira, 4 de abril de 2014

Um simples bater na bola

   Estamos perto de iniciar a Copa do mundo e seguimos debatendo e discutindo assuntos que deveriam estar em execução pelos nossos dirigentes e profissionais do meio futebolístico .Todos os meses temos declarações polêmicas entre os profissionais que estão envolvidos no futebol mostrando para todos os brasileiros que não existe uniformidade e convicção a respeito de política de futebol a nível de federações, gestão na maioria dos clubes, referência e metodologia de trabalho em categorias de base.


    Atualmente no Brasil temos uma gama de profissionais dos mais diferentes níveis como por exemplo : ex-jogadores de futebol sem formação acadêmica, ex-jogadores com formação acadêmica, profissionais de educação física especializados em futebol com vivência no futebol e profissionais de educação física especializados em futebol mas sem vivência no futebol. Inserido no meio disso tudo temos os dirigentes, jornalistas, torcedores e curiosos da bola.


    Isso tudo gera um ambiente vicioso, polêmico e resultadista da nossa classe de profissionais.O entendimento coletivo que necessitávamos para que fossemos numa mesma direção é inexistente onde a vaidade e a ambição fala mais alto proporcionando para quem produz bom resultado no campo um maior espaço na mídia como se fosse o dona da verdade sem se importar com as consequências de sua opinião,menosprezando a ética profissional e a inteligência moral que são aspectos tão importantes na formação de jogadores como o "saber bater na bola".


    Vivemos numa sociedade futebolística egoísta ,vaidosa e na sua maioria desatualizada onde métodos utilizados no passado persistem em se manter no contexto dos clubes fazendo pouco caso da atualização profissional tratando a como inimiga de profissionais com mais experiência no futebol e empecilho para os que estão iniciando. Alem disso existe o preconceito dos mais velhos com inovação de métodos chegando a níveis de insanidade mental em alguns momentos. Temos exemplos de evolução por profissionais de outras áreas de atuação que sem vaidade e preconceito buscaram atualização para o bem da medicina,enfermagem, engenharia ,informática e etc.


    Entretanto temos também o outro lado da moeda onde muitos profissionais pensam que com o curso de educação fisica e especialização no exterior ou em um curso de especialização no Brasil estejam prontos para ensinar tudo aquilo que um atleta ou uma equipe de futebol necessita. Muitas vezes esses profissionais acabam dando um salto no mercado num período menor do que seria necessário, muitas vezes apoiado por algum empresário ou alguém com influência nos clubes sempre abreviando algumas fases da formação profissional. Vivenciar a pratica somente em estágios da universidade infelizmente não habilita a trabalhar com equipes profissionais gerenciando situações diárias do dia a dia de um grupo de futebol.

    No caso das categorias de base tenho a mesma opinião porém sou defensor da metodologia inovadora onde o processo pedagógico deve ser baseado no jogo de futebol fazendo com que o aluno/jogador vivencie situações variadas dentro do treinamento baseados nos períodos sensíveis do treinamento juntamente com o contexto cognitivo e comportamental . Para que isso tenha resultado os estímulos de imprevisibilidade, resolução de problemas, poder de decisão, feed backs cognitivos e aprendizagem através do erro e acerto são fundamentos chaves para esse processo.

    Enfim, vivenciaremos mais polêmicas no futuro enquanto não tivermos uniformidade no contexto que estamos envolvidos. Países como Alemanha ,Inglaterra,Espanha ,Bélgica,Chile e outros se prepararam muito bem e estão colhendo o que plantaram. Países do Oriente médio, Ásia, América do norte e América central estão plantando e colherão mais na frente por visualizarem algo mais alem do que um Simples " não sabem ensinar a bater na bola" como acreditam alguns profissionais brasileiros.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Entrevista ao site Doentes por Futebol



Vice-campeão ucraniano e pela primeira vez disputando a UEFA Champions League, o Metalist Kharkiv vem fazendo história na Ucrânia. Muito desse sucesso se deve aos brasileiros que estão lá. Atualmente são seis: Cleiton Xavier, Diego Souza, Marlos, Rodrigo Moledo, Márcio Azevedo e Michel Huff. Os cinco primeiros são caras conhecidas do futebol brasileiro, jogaram em grandes clubes daqui recentemente. Mas e Michel?
Michel é preparador físico, e está no clube desde o começo de 2011. Professor de Educação Física, é formado no IPA-IMEC/RS, pós-graduado na PUC/RS, e tem passagens por vários clubes gaúchos, como Grêmio, Internacional, São José, Ulbra e XV de Novembro. Aceitando convite do Doentes por Futebol, Michel falou principalmente sobre as diferenças entre o trabalho de um preparador físico na Europa e no Brasil. A evolução do futebol ucraniano e o futuro do Metalist também são destaques da entrevista.
DPF: Como surgiu o convite para trabalhar no Metalist?
Michel: O convite surgiu em outubro de 2010 através do Jader Brazeiro, representante do Metalist no Brasil, no momento em que o clube iniciou a política de contratar jogadores sul-americanos para o elenco. Não aceitei o primeiro convite, pois estava no projeto de reestruturação do EC Juventude/RS. No segundo convite, em fevereiro de 2011, já havia saído do clube mencionado e aceitei a proposta feita pelo time ucraniano.
DPF: A estrutura do clube ajuda o desenvolvimento do seu trabalho?
Michel: Realmente, a estrutura do Metalist é do nível dos melhores clubes do Brasil, e sempre que você tem à disposição uma grande estrutura, o trabalho de todos os profissionais fica mais fácil. O clube possui um estádio que foi sede da Eurocopa (padrão FIFA), com capacidade para 40 mil pessoas, e, além disso, tem um centro de treinamento com hotel, academia, área de recuperação e cinco campos oficiais, sendo um deles de grama sintética.
DPF: Conhece outros brasileiros que trabalham em comissões técnicas da Europa? A formação brasileira é diferente da europeia?
Michel: Tenho conhecimento que na Turquia, Holanda e Alemanha existem profissionais brasileiros na preparação física. Aqui no Leste Europeu acredito que seja só eu como profissional brasileiro atuando nesta área em clubes de futebol.
Aqui na Ucrânia, como no centro da Europa, a maioria dos clubes tem como metodologia o uso da preparação física como ferramenta de prevenção e melhora da performance do atleta para o modelo de jogo da equipe, diferente no Brasil, onde a preparação física é o objeto determinante na concepção de treinamento na maioria dos clubes.
Por exemplo: aqui no Metalist não existe treinamento priorizando a preparação física. Todos os treinamentos são desenvolvidos buscando a melhora do modelo de jogo da nossa equipe. Óbvio que são feitos trabalhos físicos, mas são executados no aquecimento ou antes e depois da parte principal do treino, com objetivo de prevenção, recuperação e melhora na performance individual do atleta.
DPF: Jogadores brasileiros, quando saem da Europa e voltam ao Brasil, reclamam muito dos treinos e da falta do famoso “rachão”. Qual a sua participação nos treinamentos e jogos?
Michel: A questão é cultural e metodológica. Não acredito que aqui seja o certo e no Brasil esteja sendo feito errado ou vice versa, mas sim, são formas distintas de treinamento. Se você tirasse um jogador europeu e colocasse num clube do Brasil, esse jogador passaria por uma adaptação em todos os aspectos.
Minha participação aqui consiste em fazer treinamentos que estejam inseridos no modelo de jogo do time, melhorando a performance físico-cognitiva da equipe utilizando sempre o futebol (físico, técnico e tático) como peça fundamental no treino. Faço também treinamentos individuais para os atletas adquirirem melhor desempenho individual tanto no campo quanto na academia.
Nos jogos, minha participação consiste em fazer a primeira parte do aquecimento antes das partidas e o aquecimento dos jogadores substitutos.
Huff comanda preparação do time no treino.
DPF: Acredita que o futebol ucraniano, em geral, evoluiu ou regrediu desde sua chegada em 2011?
Michel: Com certeza evoluiu. Hoje, a Ucrânia está entre os dez principais países no ranking da UEFA; o Metalist está entre os 30 melhores times do ranking da UEFA (quando cheguei estava entre os 90 melhores); a Eurocopa 2012 foi realizada na Ucrânia, sendo reformados e construídos novos estádios; a maioria das transferências do futebol brasileiro e argentino são para o mercado do Leste Europeu, principalmente Ucrânia; a Copa das Confederações 2017 e a Copa do Mundo 2018 serão na Rússia (país vizinho); o futebol da Ucrânia deixou de ser um “ostracismo” para os jogadores com o crescimento dos clubes do Leste Europeu. O torcedor ucraniano adora o futebol, e o investimento é um dos mais fortes da Europa;
DPF: Acha que o Metalist pode atingir o nível do Shakhtar e ser uma potência contra grandes clubes do centro europeu?
Michel: O Metalist foi o clube que mais cresceu no Leste Europeu nos últimos quatro anos, chegando no nível de vários clubes de tradição como Dynamo Kiev, Shakhtar Donetsk, CSKA Moscow, Zenit e Spartak Moscow. O Shakhtar é uma referência positiva aqui pelos dez anos de crescimento no futebol do Leste Europeu com uma conquista da Liga Europa e vários títulos de Campeonato Ucraniano e Copa da Ucrânia. Quebramos uma hegemonia de vinte anos na temporada passada, pois o Metalist nunca havia conquistado o vice-campeonato e, consequentemente, a vaga para a qualificação da Champions League. Aliás, nenhum outro time ucraniano, fora Dynamo e Shakhtar, já ficou nas duas primeiras posições no campeonato Ucraniano, consequentemente disputando a Champions League.
DPF: Depois da vitória contra o PAOK, o Metalist está bem perto da última eliminatória da Champions League, competição na qual pode enfrentar times poderosos, como Milan e Arsenal. Como é a reação de todos dentro do clube quanto a esse fato histórico?
Michel: Chegar na qualificação da Champions já foi histórico e a cada ano estamos quebrando paradigmas em termos de resultados dentro do clube. Mas os jogadores, principalmente os sul-americanos, querem muito mais que essa participação na qualificação da Champions.
Foto: Reprodução – Michel com os brasileiros Marlos, Cleiton Xavier, Fininho, Edmar e Willian.
DPF: O sucesso dos brasileiros do Shakhtar influenciou na política de contratações do clube? Você já indicou jogadores brasileiros ao técnico Myron Markevych?
Michel: Sim. Fui consultado sobre os jogadores brasileiros que foram contratados depois da minha chegada.
DPF: O elenco do clube conta também com diversos argentinos. Como é a sua relação com eles?
Michel: Sim, são sete argentinos: José Sosa – Napoli, Bayern de Munique e Estudiantes, Sebastian Blanco – Lánus/ARG, Jonathan “Chury” Cristaldo – Velez Sarsfield, Cristian “Kit” Villagra – River Plate, Juan Manuel “Chaco” Torres – San Lorenzo, Marco Torsiglieri – Sporting, e Alejandro Gómez – Catania. A relação com eles é a mesma que com os outros jogadores do elenco. Existe uma proximidade cultural por eu ser gaúcho e vivenciar algumas culturas semelhantes, tais como o chimarrão, a música e o churrasco.
Michel também espalha o que aprendeu e as situações que vive na Ucrânia em seu blog:  http://blogmichelhuff.blogspot.com.br/
Você também o encontra no Twitter: @michelhuff

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Feliz 2014!!



Anjos (Pra Quem Tem Fé)
O Rappa 
Em algum lugar, pra relaxar
Eu vou pedir pros anjos cantarem por mim
Pra quem tem fé
A vida nunca tem fim
Não tem fim
É

Se você não aceita o conselho, te respeito
Resolveu seguir, ir atrás, cara e coragem
Só que você sai em desvantagem se você não tem fé
Se você não tem fé

Te mostro um trecho, uma passagem de um livro antigo
Pra te provar e mostrar que a vida é linda
Dura, sofrida, carente em qualquer continente
Mas boa de se viver em qualquer lugar
É

Volte a brilhar, volte a brilhar
Um vinho, um pão e uma reza
Uma lua e um sol, sua vida, portas abertas

Em algum lugar, pra relaxar
Eu vou pedir pros anjos cantarem por mim
Pra quem tem fé
A vida nunca tem fim
Não tem fim

Em algum lugar, pra relaxar
Eu vou pedir pros anjos cantarem por mim
Pra quem tem fé
A vida nunca tem fim



EM BUSCA DA LUZ !!!

"Vamos viver ,agora temos essa vida ,vamos defender tudo e todos que temos com toda a nossa vontade, vamos mudar aquilo que parece impossível ,vamos criar fatos novos e novas formas de encarar nossa luta ,vamos inovar dentro da nossa própria velhice ,vamos brilhar.
Afinal ,quando entramos na piscina escura tudo pode acontecer ,podemos trocar de lado ,o final da piscina escura não saberemos onde vai dar ,mas queremos ver a claridade ,qualquer claridade que seja já e' o máximo de felicidade que podemos ter ,e' a nossa vida ...vamos agarrar-la com unhas e dentes e vamos viver. A piscina que temos esta sempre clara ...essa claridade e' a VIDA!!!
by Raphael Huff

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Entrevista ao site da FIFA




De Preparador a embaixador...

Quando resolveu partir, em fevereiro de 2011, Michel Huff não parecia estar tomando uma decisão assim dramática. Preparou uma mala “para dois ou três meses” e embarcou do Brasil para Kharkiv, Ucrânia, para ser o novo preparador físico do Metalist. “Fui para ficar, mas eu não tinha certeza”, ele admite quase com ar de culpa. ”Porque, convenhamos, é difícil ter muitas certezas quando é para sua vida mudar tanto de um dia para o outro.”
E isso tudo porque não foi apenas de país e de clima que o gaúcho mudou. Michel foi embora pensando em provar por alguns meses como preparador físico – e não de uma comissão técnica liderada por brasileiros, mas como único intruso entre os locais. Hoje, está em Kharkiv há quase quatro anos, acumulando as funções de assistente técnico, guia turístico, tradutor, adido cultural, churrasqueiro e mais uma meia dúzia que revela a cada tanto da conversa com o FIFA.com. 
Foi algo surpreendente para todos: tanto para ele, Michel, quanto para o clube. Era difícil supor que justo o preparador físico acabaria se tornando uma das peças-chave de um projeto calculado e ambicioso do clube do nordeste da Ucrânia. Espelhando-se no sucesso recente do Shakhtar Donetsk, o Metalist escolheu seu caminho para buscar dar um salto no futebol do país: ia investir em jogadores sul-americanos. E, então, cada vez foi fazendo mais sentido ter aquele sujeito comandando treinamentos - alternando-se, a princípio, entre português, portunhol e inglês. Mas só a princípio.

“Aqui em Kharkiv, além do ucraniano, fala-se muito o russo. Eu, aos poucos, fui estudando por conta própria e hoje passo os treinos também em russo. Claro que isso ajudou a que o clube e o treinador (Myron Markevych)tivessem mais confiança em mim”, relembra ele, hoje muito mais tranquilo depois de o projeto ter engrenado e, em 2012/13, o vice-campeão Metalist ter encerrado uma série de 16 anos em que as duas primeiras posições da liga do país sempre ficaram com Shakhtar e Dínamo de Kiev. “O que vale, no fim, é o resultado, claro. Mas o pessoal sabe que não é fácil se adaptar; claro que sabe. Ainda mais eu, que vim sozinho, já que a minha esposa está fazendo seu doutorado no Brasil. Não é nada fácil. No fim, o trabalho de se tornar um anfitrião para os sul-americanos é bom para eles, mas também para mim.”
Um irmão na comissãoOs brasileiros, no início, eram três: Cleiton Xavier, Taison e Edmar - um meia-armador nascido em Mogi das Cruzes e naturalizado ucraniano, vivendo no país desde 2002. Taison se transferiu para o Shakhtar nesta temporada, mas o elenco de hoje do líder do Campeonato Ucraniano tem ainda o zagueiro Rodrigo Moledo, o lateral-esquerdo Márcio Azevedo, o meia Diego Souza e o atacante Marlos. Isso para não falar nos cinco argentinos: Cristian Villagra, José Ernesto Sosa, Alejandro Gómez, Juan Manuel Torres e Sebastián Blanco.
“Como estou aqui há mais tempo e falo o russo, eu levo eles para conhecer a cidade, para fazer compras, mostro o que tem de bonito, ensino onde encontrar a carne boa e, desde a última vez em que o churrasco liderado pelos argentinos não ficou muito bom, fui nomeado churrasqueiro oficial também”, brinca Huff, de 37 anos, bem no momento em que a seu lado se ouve a voz de Rodrigo Moledo concordando animado; os dois a caminho do treino. “O pessoal não está acostumado: no geral, quando acaba o treino, cada um vai para o seu canto e pronto. Mas, aqui, isso tudo faz parte da minha função. Coube a mim saber me adaptar e estabelecer os limites: a hora do treino é a hora do treino. Fora do campo, eu sou como um irmão mais velho.”
Não bastasse essa adaptação toda, ainda tem o frio. Não só como elemento para dificultar a vida, mas também o trabalho. Porque uma coisa é preparar o físico dos jogadores a 17 graus positivos; outra, bem diferente, quando esses graus são negativos. À uma hora da tarde. “Precisei estudar, claro. O aquecimento deve ser mais duradouro, a preocupação com alongamento é muito maior. E eu prezo muito o treino de força, que exige intervalos de descanso. No frio, isso é complicado. Até nisso precisei me adaptar”, conta Huff. “Não é à toa que os clubes daqui procuram trazer os jogadores sul-americanos sempre no verão. E que, claro, no auge do inverno, levam os elencos para se preparar no sul da Europa ou no Oriente Médio.”
Foi justamente numa dessas ocasiões que Michel Huff ganhou mais um inesperado admirador. O Metalist coincidiu com o Zenit, da Rússia, num período de treinamentos em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos e, um dia, à beira do campo de treinos, um curioso se apoiou na grade, maravilhado com aquela mescla de russo, inglês, portunhol e autêntico português que entremeava os exercícios. Era o zagueiro Bruno Alves, da seleção de Portugal. Ao final do treino, se aproximou de Michel e lhe disse: “Que incrível conseguir triunfar diante de tanta dificuldade. Parabéns. Bem que podíamos ter um de você para nos ajudar na Rússia.” Michel, agradecido, sorriu. E isso que Bruno Alves achava que estava falando só com um preparador físico. 
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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

BOM SENSO FC


   Interessante esse movimento criado por alguns jogadores profissionais dos maiores clubes brasileiros após a divulgação das mudanças no calendário brasileiro para 2014 ocasionada pela realização da copa do mundo no Brasil.Na qual provocou uma discussão a respeito entre jogadores ,CBF,sindicato dos atletas e redes de televisionamento.
   Na maioria das vezes o jogador de futebol é agregador somente em momentos de descontração , reivindicações internas dentro do clube e discussões sobre questões de contrato pessoal.Para a surpresa de muitos os atletas uniram se para reivindicar melhores condições para executar o seu trabalho dentro de campo por motivo do excessos de jogos ocasionados por uma guerra política econômica entre as federações ,redes de televisionamento ,CBF e patrocinadores.
   A divisão dos direitos televisivos por cotas distintas entre os maiores clubes no Brasil onde o "clube dos 13" perdeu força de negociação consequentemente a quebra do monopólio da Rede Globo com a entrada da Foxsports no cenário brasileiro com a compra das competições organizadas pela Conmebol fez com que o nosso calendário fosse alterado espichando a Copa do Brasil e misturando as competições mais importantes como Libertadores da América ,Campeonato Brasileiro Copa do Brasil e Copa Sulamericana .
   Alem disso ainda temos os jogos "caça níquel" da seleção brasileira que por motivo contratual acaba realizando convocações em períodos desapropriados pela FIFA e tambem a liberação de clubes brasileiros em julho e agosto para realizar amistosos na Europa no período preparatório dos clubes europeus que possuem um calendário distinto do brasileiro.
  Contudo , a maioria dos clubes no Brasil tem como modelo de treinamento uma metodologia voltada para a preparação fisica fazendo com que o estilo de jogo dos principais clubes esteja diretamente ligado ao desempenho individual dos seus atletas que sofrem com a pré temporada curta utilizada para treinamento físico como também o número excessivos de competições e treinamentos exarcebados ocasionando o fraco desempenho nos jogos frustrando treinadores,imprensa ,torcida ,e investidores.
   A diferença em relação ao calendário europeu também está relacionado a cultura de treinamento pois os clubes europeus possuem varias competições e por muitas vezes jogam duas vezes por semana mas a cultura do treinamento é diferente do Brasil . Na Europa se respeita o período de recuperação tanto no pôs jogo com 2 dias de recuperação quanto no pre' jogo com times utilizando ate dois dias antes do evento com a carga de treinamento muito baixa.Existe também uma rotatividade em relação aos jogadores pois os times usam estratégias diferentes para cada partida sabendo que qualquer atleta dentro do grupo pode desempenhar as funções exigidas pelo modelo de jogo de sua equipe e automaticamente existe o entendimento mais sucinto do "ser titular " e o " ser reserva" entre os atletas ,treinadores ,diretores e pessoas envolvidas no contexto do futebol (imprensa ,torcida e patrocinadores).
   O movimento Bom Senso FC é uma excelente maneira dos atletas de futebol se expressarem perante ao contexto do futebol ,mas sabemos que é uma pequena porcentagem da classe dos profissionais da bola que na sua maioria já estiveram na Europa atuando por muitos anos no velho continente sabendo como é o funcionamento de um calendário organizado que perdura por muitos anos e que também tem uma forma distinta em termos de cultura de treinamento e convívio diário do contexto futebolístico ( relação com a imprensa ,concentrações,viagens e etc).Sabemos que a grande maioria do jogadores e treinadores do futebol brasileiro sofrem por falta de calendário ficando as vezes três a 4 meses sem atuar ,sem contrato e passando por dificuldades financeiras pois os clubes pequenos não tem a condição de se manter o ano todo por falta de incentivo privado ou publico por consequência da falta de calendário .
   Enfim ,acredito que essa pequena manifestação dos grandes jogadores no Brasil serviu como alerta para o calendário de 2014.Algumas mudanças já ocorreram porém no ano que vem veremos se as mudanças foram boas para alguns ou para todos que trabalham diretamente e indiretamente em todo o futebol brasileiro . 

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Metodologia inovadora e suas ramificações

           A metodologia inovadora chegou no futebol para proporcionar aos clubes uma  forma distinta daquela utilizada pela maioria dos clubes no mundo todo. Essa nova concepção de treinar futebol se caracteriza principalmente por desenvolver trabalhos com qualidade e especificidade opondo a ideia mais convencional onde a quantidade e inespecificidade são aspectos característicos .Além desses aspectos as novas ideias no treinamento do futebol prezam pela treinabilidade com estímulos cognitivos coletivos ou seja todos os jogadores ,dentro das suas características,pensarem da mesma forma em todos os momentos do jogo e necessariamente utilizar as ideias inseridas dentro do modelo de jogo da sua equipe.

         Portanto ,com essa nova filosofia originou - se ramificações cientificamente elaboradas e que facilitam o trabalho das comissões técnicas que seguem essa vertente do treinamento. Na minha opinião a analise de jogo ,a fisiologia aplicada e preparação física coletiva são as principais sustentadoras da facilitação da metodologia inovadora.

       A analise de jogo originou do antigo scout de jogo onde os números eram anotados em uma planilha onde logo depois acabavam dentro de uma das gavetas da sala do treinador ,números quantitativos vagos e soltos que não apresentavam estatisticamente nenhum conteúdo qualitativo pratico para as justificativas do desempenho do time no jogo e também no treinamento  . A partir do momento que a analise de jogo passou a se preocupar com os momentos do jogo e interligou as ações dos jogadores no âmbito global de uma partida de futebol interagindo com o adversário e com o seu próprio modelo de jogo as ideias foram surgindo de uma forma qualitativa e de certa forma mais específica para o treinamento diário com feedbacks de informações para evolução do modelo de jogo da equipe.

        A fisiologia aplicada decorre do mesmo processo da analise de jogo ,porém muito mais interligada aos processos de melhora da performance de uma equipe,fazendo com que os dados filtrados dentro do treinamento proporcionem a comissão técnica o norteamento fisiológico coletivo do trabalho para que haja evolução constante durante uma certa temporada.

        Já a preparação física coletiva é uma das partes que constroem o modelo de jogo da equipe desenvolvendo treinamentos prioritários para a melhora da performance coletiva sendo muito importante o inserção do aspecto cognitivo nas praticas durante a temporada a ser desenvolvida principalmente excluindo estímulos descontextualizados da ideia de jogo do treinador .

         Por isso é fundamental que esses profissionais ligados as ramificações da metodologia inovadora estejam aptos a desenvolver esses processos.Atualmente o profissional do futebol necessita atualização e conhecimento do jogo de futebol ( conteúdos tácticos) diferentemente da metodologia convencional que tem como objeto a mentalidade reducionista onde os processos se desenvolvem em varias ramificações mas pouco se interligam não tendo como prioridade e produto final o modelo de jogo da equipe.

         Enfim ,essa postagem originou de um dialogo com o professor Bebeto Sauthier  (analista de desempenho do Criciúma) e tem como ideia provocar, mesmo que amplamente,todos os profissionais do futebol que desejam evoluir sabendo que o conhecimento é infinito e itinerante . Conheço muitos profissionais gabaritados (citados aqui em outras postagens)tanto da preparação física quanto da analise de desempenho e fisiologia aplicada que hoje estão atuando pelo mundo todo propagando essa nova ideia de se treinar futebol.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Investimento no futebol x Concepções científicas

         O futebol mundial vive uma nova época dentro e fora das quatro linhas aonde alguns aspectos passaram a ser prioritários na estrutura dos clubes de futebol .Atualmente para se ter resultado e desempenho aceitáveis é necessário conhecimento cientifico e vivência no desenvolvimento das ações diárias de um clube envolvido com o desporto coletivo .Com a disseminação global  da internet estamos a todo momento vulneráveis a atualização de conhecimento o que nos proporciona uma troca constante de informações daquilo que esta sendo desenvolvido qualitativamente dentro desse esporte fascinante que é o futebol .Portanto ,medicina desportiva,nutrição  ,fisiologia ,fisioterapia e a preparação física individual são aspectos relevantes em qualquer clube do mundo mesmo com diferenças econômicas , estruturais e sócio- culturais.       


         Hoje em dia não podemos mais desenvolver futebol em clubes se não tivermos uma estrutura capaz de abastecer tudo aquilo que se tem de melhor em termos de concepções cientificas modernas como suporte de uma equipe. As concepções cientificas modernas estão sendo muito bem trabalhados em países como Argentina e Brasil com excelentes profissionais atuando dentro dos clubes no mesmo nível de alguns países da Europa ,porém  ainda estamos ultrapassados na metodologia do treinamento dentro de campo comparados aquilo que existe de melhor no mundo.  
    

        O futebol se tornou um dos maiores negócios do mundo com potencial econômico e financeiro impressionante fazendo com que os maiores investidores dos mercados emergentes(América Latina,Leste Europeu ,Ásia oriental e Oriente Médio) buscassem através do futebol uma forma de lucrar  usufruindo das consequências de bons resultados dentro de campo para aumentar suas riquezas e propagar suas logomarcas.
       
       
            Investidores da Engenharia Civil ,Mercado do Petróleo , Bolsa de Valores e Mineração descobriram que o futebol pode se tornar a fonte mais segura de reproduzir riqueza mas ainda não perceberam que  para obter retorno financeiro com o futebol é necessário a busca de excelência com profissionais envolvidos tanto na gestão como no desenvolvimento do treinamento dentro do campo e em torno dele.Atualmente os clubes com  investidores possuem grandes estruturas mas ainda precisam evoluir nas concepções  que norteiam os respectivos investimentos e acredito que se perde muito tempo e dinheiro com distintas concepções de trabalho  que definirão  as diretrizes de atuação dos seus clubes.     


            Enfim,acredito que o clube de futebol  que possuir uma equipe inter disciplinar desenvolvendo trabalhos atualizados com base cientifica nas áreas da medicina ,nutrição ,prevenção ,reabilitação , performance individual desde as categorias de base até o elenco profissional terá retorno  qualitativo e quantitativo em curto prazo nos seus objetivos traçados .