"A bola dá volta"

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quinta-feira, 5 de maio de 2011

ENTREVISTA (2ª parte) 05.05.11

Segunda parte da entrevista dada pelo Michel Huff ao Bruno Camarão do site www.universidadedofutebol.com.br

Universidade do Futebol – Em seu blog, vemos diversas postagens de passeios, em momentos de lazer. O clube proporciona isso aos funcionários, de maneira geral? Qual é a importância dessa interação com outras culturas para o desenvolvimento de sua carreira?

Michel Huff – Tudo aquilo que coloco de postagem no meu blog tem como objetivo divulgar para meus amigos no Brasil e no exterior as minhas vivências pelos lugares por que passo com o Metalist e por minha conta também.
Essa interação para minha carreira tem uma parcela importante, pois abre horizontes, exercita nossa mente e nos faz quebrar paradigmas culturais que possuímos, mas com certeza é uma influência secundária no meu crescimento profissional.

Universidade do Futebol – Como você classificaria a estrutura de trabalho (centro de treinamento, departamentos médico e de fisiologia, integração com profissionais ligados às Ciências do Esporte, etc.) no Metalist? Pode-se dizer que o clube é uma das grandes forças nacionais e um emergente em termos europeus?

Michel Huff – Aqui no FC Metalist, encontrei uma estrutura física de dar inveja a muitos clubes brasileiros. O centro de treinamento do clube é de alto nível, novo e foi feito há pouco tempo com tudo que você possa imaginar: campos de grama natural com iluminação – quatro ao todo –, um campo de grama sintética, quadra de areia, academia, ambiente de recuperação (piscina, sala de massagem, sauna seca, sauna a vapor, sauna fria), refeitório, tanto para o profissional, quanto para as divisões menores, hotel para a base e para o grupo principal, possuindo sala de internet, calefação geral, TV, sala de jogos, sala de palestra, departamentos médico e fisiológico, vestiários e segurança 24h por dia.
A única ressalva que faço é em relação a algumas peculiaridades no contexto. São culturas diferentes à que estamos acostumados no Brasil e os procedimentos são feitos de outras maneiras.
O Metalist hoje é a terceira força do país. Está perto do Dínamo de Kiev e tentando se aproximar do Shakthar Donetsk. A Ucrânia é o país da Europa que mais cresce no futebol, visto as participações do Shakthar na Liga dos Campeões e da participação do Dínamo e do Metalist na Liga Europa.
Outro dado importante é que a Ucrânia será sede da Eurocopa 2012 e a cidade do Metalist, que se chama Kharkivl, com mais de dois milhões de habitantes, será uma das sub-sedes.

Universidade do Futebol – Vários profissionais brasileiros vão para a Europa, não têm sucesso e retornam para o país natal. Como foi a receptividade e como você fez para contornar a resistência até que as pessoas conhecessem o seu trabalho?

Michel Huff – A receptividade foi muito boa. No começo, tive o respeito dos profissionais do clube, mas é claro que existe uma resistência normal dos ucranianos ao profissional que chega de outro país.
Agora, já tenho a admiração deles, pois também tive reciprocidade no processo, quando procurei me adaptar à cultura, à metodologia local, à língua e às coisas do cotidiano. Isso resultou no conjunto de respeito e admiração das pessoas que são próximas a mim no Metalist.

Universidade do Futebol – Nos seus cursos de graduação e pós-graduação no Brasil, você conseguiu as ferramentas necessárias para a parte prática das suas funções, ou precisou adequar-se a algumas situações e aprender outras na Ucrânia?

Michel Huff – Minha formação foi nos melhores estabelecimentos de ensino do curso de Educação Física no Rio Grande do Sul, tanto na graduação, como na especialização, mas procurei e busquei muita coisa a respeito de metodologia e ferramentas para minha atualização em treinamento.
Acredito que os estabelecimentos de ensino precisam quebrar alguns paradigmas no conteúdo que é transmitido. Para isso, é necessária uma atualização dos profissionais e do próprio conteúdo.
Há muita produção ultrapassada, que ainda é vista como a única verdade no ensinamento. Precisamos dessa reforma educacional urgente.
Aqui na Ucrânia, a cada dia temos novos aprendizados no contexto do treinamento, mas o que mais me impressiona é a ocasionalidade do planejamento. Estou aqui aprendendo outras formas de conduzir o processo.

ACOMPANHE  NO BLOG NA PRÓXIMA SEMANA A TERCEIRA PARTE DA ENTREVISTA...

domingo, 1 de maio de 2011

DIÁRIO DA PREPARAÇÃO 01.05.11

Tínhamos um jogo difícil por vários aspectos. Não jogaríamos no nosso estádio, o local da partida seria num estádio onde o campo não tinha as melhores condições e também com pequenas dimensões. E o aspecto que nos trouxe mais dificuldades, o adversário. O Karpaty é o quinto colocado, é uma equipe bem organizada dentro de campo, nos trouxe muitas dificuldades na partida. Logo no inicio, do jogo o adversário conseguiu abrir o placar depois de uma bola parada a nosso favor, acabamos perdendo a posse de bola e sofrendo um contra-ataque fulminante, com a finalização do brasileiro Baptista. Se com o empate, o jogo já estava difícil, com desvantagem no placar ficou muito complicado e terminamos o primeiro tempo perdendo o jogo por 1x0.
No segundo tempo, tivemos alterações na equipe, mas o que surtiu efeito foi a expulsão, que nos deixou com superioridade numérica por mais da metade do segundo tempo fazendo com que fossemos pra cima do Karpaty, buscando o gol a todo momento. Nosso gol de empate saiu com uma jogada coletiva nossa, iniciada por Taison e finalizada por Marko Devic que marcou com categoria. Parecia que iríamos virar o placar, mas a organização defensiva do adversário em conjunto com as dificuldades do campo e, como as nossas chances de gol não foram convertidas, acabamos o jogo com um empate.
Metalist 1x1 Karpaty
Agora a vaga da Champion's League ficou distante e o terceiro lugar está a perigo, pois o Dnipro venceu e está a um ponto da nossa equipe. Faltam três rodadas e precisamos nos recuperar.

sábado, 30 de abril de 2011

ENTREVISTA (1ª parte) 29.04.11

Primeira parte da entrevista dada pelo Michel Huff ao Bruno Camarão do site www.universidadedofutebol.com.br

Kharkiv é considerada por muitos habitantes locais como a cidade mais desportiva da Ucrânia. Ela já produziu vários grandes atletas, como Aleksey Barkalov (pólo aquático), Rustam Sharipov (ginástica artística), Lyudmila Dzigalova (atletismo), Yuri Poyarkov (voleibol), além do “Peixe de Ouro” Yana Klochkova, nadadora que ganhou quatro medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de Sydney e de Atenas. E conta também com um representante no futebol.
O FC Metalist é o clube mais popular da segunda maior cidade ucraniana. Vencedor da Taça da URSS, em 1988, a agremiação realizou campanhas bem sucedidas em competições posteriores, como ter chegado às oitavas de final da Copa da Uefa de 2009, naquela que foi a sua melhor campanha em competições européias. À ocasião, foi eliminado pelo tradicional Dínamo de Kiev.
Tal campanha certamente esteve condicionada ao processo de desenvolvimento interno. Após uma crise financeira, o Metalist foi adquirido pelo UkrSibbank e recebeu o patrocínio da DCH (empresa de Oleksandr Iaroslavskyi). Os investimentos constantes em estrutura e profissionais qualificados representaram êxito técnico. Inserido nessa realidade desde a temporada passada está Michel Huff.
“Aqui no FC Metalist, encontrei uma estrutura física de dar inveja a muitos clubes brasileiros. O centro de treinamento do clube é de alto nível, novo e foi feito há pouco tempo com tudo que se possa imaginar: campos de grama natural com iluminação – quatro ao todo –, um campo de grama sintética, quadra de areia, academia, ambiente de recuperação (piscina, sala de massagem, sauna seca, sauna a vapor, sauna fria), refeitório, tanto para o profissional, quanto para as divisões menores, hotel para a base e para o grupo principal, possuindo sala de internet, calefação geral, TV, sala de jogos, sala de palestra, departamentos médico e fisiológico, vestiários e segurança 24h por dia”, revelou o preparador físico brasileiro, radicado no país do Leste Europeu após convite de um amigo – o ex-jogador Jader Brazeiro.
Huff é professor de Educação Física, formado no IPA-IMEC/RS, com pós-graduação em Técnico Desportista em Futebol e Futsal, pela PUC/RS. Acumulou passagem pelas categorias de base de Grêmio e Internacional, além de departamentos principais de diversas representações do Rio Grande do Sul.
Na Ucrânia, ele percebeu de prontidão as diferenças relacionadas ao treinamento esportivo. Huff revela que não há atividades físicas propriamente ditas – todo o processo é criado a partir da estrutura contextual do sistema de jogo, mesmo que não haja um modelo de jogo da equipe determinado.
“Trabalham-se com poucos feedbacks de princípios do modelo de jogo, mas muita exigência de posicionamento tático. Em relação às avaliações físicas, valoriza-se muito pouco esse aspecto: não existe a preocupação com dados físicos, e os antropométricos são entendidos de uma forma secundária, como acessórios pouco usuais”, explicou.
No FC Metalist, que luta para conquistar uma vaga para as competições européias do ano que vem, o corpo técnico de campo é constituído de um treinador principal e mais cinco adjuntos – Huff é um deles.
“As minhas atribuições são no aquecimento do treino, no desenvolvimento de alguns trabalhos para melhora de performance desportiva (força ,coordenação, rapidez, etc.), sempre combinado com bola, e no aquecimento de jogo, preparando o grupo para o evento”, relatou.
O brasileiro, além da companhia de outros compatriotas, como o lateral-esquerdo Fininho, o meia Cleiton Xavier e o atacante Taison, convive com atletas das mais diversas nacionalidades. Idioma flexível, diferenças metodológicas e climáticas bem absorvidas e gestão humana eficiente foram os fatores primordiais para que Huff conquistasse a confiança de todos no clube e se firmasse como um vanguardista brasileiro na Ucrânia, em se tratando do ambiente técnico-científico do futebol
Nesta entrevista à Universidade do Futebol, ele falou mais ainda sobre o trabalho individual com atletas que retornam de lesão, a sua relação “distante” com o head coach e por que são encontradas dificuldades para se ensinar a técnica por meio da ação tática.

Universidade do Futebol – Michel, em primeiro lugar, fale um pouco sobre sua formação acadêmica, bem como seu ingresso e a trajetória no futebol profissional.

Michel Huff – Sou formado pelo IPA-MEC/RS, com Licenciatura em Educação Física (1998), com especialização em “Técnico desportista em futebol e futsal”, pela PUC-RS (2003).
Iniciei minhas experiências no futebol profissional em 2000, no já extinto Canoas Futebol Clube, como assistente do preparador físico Nestor, meu amigo.
Já trabalhava em categorias de base desde 1995, quando ingressei na faculdade, e minha função no Canoas era preparador físico do juvenil e assistente físico do profissional.

Universidade do Futebol – Como surgiu a oportunidade de trabalhar na Ucrânia? Já era algo planejado, ou apareceu realmente como outra possibilidade qualquer?

Michel Huff – Já tive outras possibilidades de ir para o exterior, era um objetivo meu e estava me preparando para sair do Brasil, mas não era o momento oportuno.
Mantinha uma parceria com o técnico Beto Almeida desde 2005, mas como saímos do E.C. Juventude precocemente, eu fiquei sujeito a convites. Recebi um para trabalhar no F.C. Metalist por intermédio do meu amigo e ex-jogador de futebol Jader Brazeiro, que foi meu atleta em 2004 no São José de Cachoeira do Sul/RS, time que na época estava na Série A do Gauchão.
Ele atua aqui no Metalist como olheiro e tradutor, pois já jogou no clube. Foi solicitado um preparador físico que fosse atualizado e ele, conhecendo meu trabalho, prontamente me convidou e eu aceitei.

Universidade do Futebol – A sua adaptação ao idioma local aconteceu com facilidade?

Michel Huff – Na Ucrânia se fala o russo. Estava tranquilo em relação ao idioma, pois o meu amigo Jader é o tradutor, mas ele não pôde me auxiliar na minha chegada – estava no Peru observando jogadores no Sul-Americano sub-17 de seleções.
Então, tive que me adaptar sozinho e com a ajuda do Edmar, jogador brasileiro que está aqui há sete anos e fala russo fluentemente, e da amizade dos outros brasileiros, também (Fininho, Cleiton Xavier e Taison).
Mas tive que me esforçar, estudar um pouco a língua, pegar palavras-chaves do treinamento, escrever e ler ao mesmo tempo, escutar traduções, participar de palestras e tentar descobrir as palavras.
Dessa forma, hoje já consigo falar um pouco das expressões necessárias nas minhas participações no momento em que estou no campo.

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domingo, 24 de abril de 2011

DIÁRO DA PREPARAÇÃO 23.04.11


Foi o verdadeiro clássico de duas equipes fortes da Ucrânia, o Shakthar com uma equipe recheada de brasileiros e sendo mandante da partida, era considerada a favorita na partida. Mas nós, mesmo com desfalques importantes, como o argentino Cristian Villagra e o brasileiro Fininho, estávamos concentrados e focados no jogo, pois com um resultado positivo poderíamos chegar na segunda colocação no campeonato ucraniano. O público também era de clássico, com um estádio fabuloso, do nível dos grandes estádios da Europa, construído para a Eurocopa 2012, sentía-se que o jogo seria digno do relato do inicio do post.
Fizemos um jogo equilibrado desde o inicio e, até em certos momentos da partida, sendo mais efetivo que a equipe local, mas sentimos os desfalques e no fim do primeiro tempo estávamos perdendo o jogo por 1 gol de diferença, anotado por Alex Teixeira, jogador brasileiro de grande qualidade e personalidade.
No intervalo do jogo tive uma brve conversa com Douglas Costa, relembrando os tempos de Grêmio, quando era treinado pelos meus amigos James Freitas e Luciano Ilha, treinador e preparador fisico, respectivamente.

Voltamos melhor e já no meio do segundo tempo empatamos o jogo com Marko Devic, depois de linda jogada de Taison. Quando partíamos pro final da partida com um empate, tomamos outro gol depois de jogada dos brasileiros do Shakthar. Só que desta vez não tinha mais tempo e acabamos perdendo uma invencibilidade de 6 jogos na Premiere League Ukraine.
Agora temos que treinar forte, deixar a cabeça esfriar e manter a vaga para a Liga Europa UEFA para próxima temporada.

domingo, 17 de abril de 2011

DIÁRIO DA PREPARAÇÃO 16.04.11


Após uma semana de treinamentos de qualidade, fomos ao jogo desse sábado com intuito de buscar a terceira vitoria seguida na Premiere League Ukraine.Tivemos como adversário o do Arsenal de Kiev, clube da capital da Ucrânia, participante do bloco intermediário do campeonato nacional, mas que para nós do Metalist era um adversário a ser batido. No aquecimento do jogo, já percebia-se entre os jogadores a intenção de tentar pressionar o Arsenal desde o inicio da partidam para que o gol e a vantagem saísse sem demora, pois os últimos jogos estávamos fazendo gols sempre no segundo tempo. Muitas vezes saindo atrás no placar, o que nos causava um desgaste físico e mental elevadíssimo. Quando se tem a vantagem logo no inicio da partida, podemos administrar o  desempenhofazendo com que o adversário tenha que se expor, nos oferecendo espaços para nossos contra-ataques. Essa atmosfera de positividade foi vista dentro de campo, entramos no jogo pressionando e sufocando o adversário, fazendo com que o jogo ocorresse no meio campo. Essa superioridade foi convertida em gols, onde o nosso meia atacante Denys Oliinyk converteu duas vezes, em jogadas originadas pelos brasileiros Cleiton Xavier e Taison, respectivamente. Na metade do primeiro tempo já estávamos com o objetivo de inicio de jogo concretizado, pressão e vantagem no placar, fazendo o que nosso Head Coach, Myron Markevych, comenta em todos jogos em casa: "Somos a equipe local".

Na volta pro segundo tempo, tivemos duas baixas, Taison e Romanchuck, isso ocasionou uma desorganização na equipe, fazendo com que o Arsenal descontasse no placar, mas nossa equipe se reencontrou no jogo e voltou a dominar o adversário com possibilidades de ampliar. Com esse resultado temos uma semana confiante para enfrentar o clássico do próximo sábado contra o Shakthar em Donetsk, com essa vitória ficamos empatados em segundo lugar com o Dínamo de Kiev, hoje estaríamos com a vaga da Champions League da UEFA muito perto do Metalist, porém temos que aguardar o jogo de segunda-feira do Dínamo para termos a certeza que nosso objetivo na competição está sendo conquistado. É esperar pra ver!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

DIÁRIO DA PREPARAÇÃO 14.04.11


Como combinado na semana passada, hoje vou comentar um pouco sobre diferenças metodológicas no futebol, claro que é um assunto muito complexo e que na verdade existem tendências metodológicas no mundo todo e que são influências dentro do trabalho de comissões técnicas dos clubes de futebol.
Conhecemos duas grandes linhas metodológicas no futebol, a linha inovadora representada pela Periodização Tática e a linha de treinamento convencional baseada nos conceitos de Periodização de Matveev.

Acredito na metodologia inovadora, desenvolvendo toda a performance desportiva baseada no processo coletivo, trabalhando dentro do modelo de jogo com treinamentos contextualizados nos princípios que norteiam esse modelo, sustentada pelo desenvolvimento do cognitivo coletivo. Na minha forma de ver, supera a metodologia do treinamento integrado de origem sul-americana, moderna também, mas enraizada nas linhas do desporto individual e da metodologia convencional, baseada nas linhas de Matveev. Divididas em períodos e características bem sólidas, onde o atleta deve, primeiramente, ganhar para depois manter, e no final do macrociclo, perder. Onde a principal meta é desenvolver o perfil físico do atleta, com uma visão reducionista do processo, separando o aspecto físico, técnico, tático e psicológico do atleta.



No F.C. Metalist se segue a linha da metodologia inovadora, onde o treinamento é muito mais pro jogador ser o pensante dentro do contexto da equipe. O processo é feito todo em cima da estrutura contextual do sistema de jogo, mas não se tem definido o modelo de jogo da equipe. Trabalha-se com poucos feedbacks de princípios do modelo de jogo, mas muita exigência de posicionamento tático. Em relação às avaliações físicas, valoriza-se muito pouco esse aspecto, não existe a preocupação com dados físicos e antropométricos, utiliza-se numa forma secundária como acessório pouco usual, do que na metodologia convencional onde o jogador passa a ser unicamente o executante, tendo que cumprir tempos, metragens, parâmetros de performance e mensurações, que acabam mais ocupando o tempo dos profissionais do que propriamente resultando em performance desportiva ótima.

Mas quero deixar claro que essa é minha visão de treinamento e respeito os profissionais que acreditam na forma convencional de trabalhar e admiro muitos deles por suas conquistas.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

DIÁRIO DA PREPARAÇÃO 11.04.11

Kiev

Numa das andanças minhas aqui na Ucrânia, tive a oportunidade de conhecer a capital do país, Kiev. Mas não fui a lazer! Na minha vinda pra Europa tive que fazer um passaporte de urgência ocasionando negativa pro visto de trabalho, então o Metalist me pediu para ir até a Embaixada do Brasil, que fica localizada num bairro antigo da cidade de Kiev, para confeccionar o passaporte com validade de 5 anos, esse passaporte me daria o direito de fazer meu visto de trabalho, documento que ja está sendo providenciado aqui pelo pessoal do Metalist.

Para ir até a capital da Ucrânia, utilizei o transporte aéreo, viagem rápida de aproximadamente 40 minutos, já que Kharkiv fica a quase 500km de Kiev. Chegando na capital, fui direto à embaixada, lá encontrei um brasileiro chamado Paulo que está trabalhando como vice-cônsul da embaixada, um cara gente boa, gaúcho, mas que saiu cedo de Porto Alegre para viver aí pelo mundo, já morou em vários lugares, inclusive no Japão. Ele me deu todas as coordenadas para fazer o documento e me elogiou, pois levei a ele todos os documentos necessários para o passaporte, coisa rara de acontecer (sempre acontece o esquecimento de algum documento prorrogando para outra data o passaporte).
Por incrível que pareça, consegui o passaporte em 1hora e meia, processo rápido e sem"burrocracia"que assistimos no Brasil o tempo todo. Quando peguei o passaporte, presentiei o Paulo com um calção do Metalist e fui conhecer um pouco da cidade. Iniciei a tour no bairro de Podol, onde podemos encontrar bares, cafeterias e também, logo a quatro quadras, ao sul da avenida principal do bairro, o rio Dnieper. Lindo e muito bem cuidado, com águas calmas e limpas.

Rio Dnieper

Logo depois, me mandei com o meu motorista, que por sinal, foi muito bem pago para transportar-me até o monumento da cidade, o National Museum of the History of the Great Pratriotic War, uma praça que mostra o cenário do passado da cidade, das guerras e paixões do povo local e do próprio País. Lá encontrei o monumento da Pátria, gigante, que parecia a Estátua da Liberdade dos EUA ou o Cristo Redentor do Rio de Janeiro. Tirei várias fotos com o meu fotográfo (e motorista), para contar um pouco dessa história do povo ucraniano. Mas o tempo passava e tinha uma surpresa para o final, minha volta seria de trem. Então fomos para a estação ferroviaria de Kiev. No caminho, conheci um pouco mais da cidade, com vários edifícios enormes com painéis de publicidade, de várias marcas famosas, numa cidade capitalista e que está emergindo...só poderíamos ver essa paisagem, a característica do progresso. Continuamos indo devagar e observando, eu e o motorista, fotografo e guia também. Fomos até o local onde faria uma viagem de 6 horas até Kharkiv. Chegando na estação ferroviária, encontrei um formigueiro de pessoas, de todos os tipos e numa mistura de pressa e lentidão ao mesmo tempo. Os que iriam e os que chegavam, combinado com os que tinham que esperar o trem comigo. Fiquei na estação aproximadamente 4hs, mas aproveitei, fui no Mc Donalds e devo ter feito uns 5 kms de caminhada nas lojas e locais de visitação da estação. Bem, chegou minha hora, já estava dentro do trem e agora era curtir a viagem e descansar, depois dessa aventura, que tive a oportunidade de fazer na cidade de Kiev.



Estação ferroviária
Agradeço ao Paulo, ao Edmar (jogador brasileiro naturalizado ucraniano, que me ajudou muito nessa viagem) e, e' claro, ao meu motora Anatori.
Quinta-feira tem mais postagem, para falar de metodologias do treinamento, mas esse é papo sério e ao mesmo tempo, interessantíssimo!!!